Criticando Otto
Noite dessas, ciceroneada pelo bamba Moacyr Luz, fui parar no Otto, segundo ele, boteco notável de cozinha alemã, no coração da Tijuca. O.K., vamos (e fomos mesmo) por partes: a casa é notável, é tijucana, é alemã, mas acho que não é boteco não, mestre. Com todo o respeito, Otto não seria um restaurante? E assim, entre patês caseiros divinos, salsichões de muitas cores e o som elegantíssimo da Cia. Estadual do Jazz, do "casseta" Reinaldo, adentramos a noite ouvindo Tom e discutindo até que ponto boteco se confunde com bar, que se transforma em restaurante. Foi longe. Mas isso é tema para mesa-redonda, concorda? Vamos à mesa do Otto, abreviação de Ottmar Grunewald, gaúcho filho de alemães, que já trabalhou como gerente da Rodeio e há cinco anos abriu sua casa na Tijuca. Lota dia e noite de moradores do bairro e de gente da Zona Sul. É uma turma que vai ali atraída não somente pela boa cozinha alemã da casa (é que em matéria de kassler e leberkäse, o Centro e a Zona Sul não têm do que reclamar), mas pelos músicos que se apresentam ali. Ouvimos do bom e do melhor nos deliciando com comes e bebes afinados: bolo de carne (leberkäse, a R$25,90), filé com páprica (R$23,90), salsichinhas alemãs com mostarda escura (R$19,50), patês da casa (de vitelo, da casa e de carne defumada, a R$18,90), que comemos com pães artesanais. O carro-chefe dali são os palmitos assados na casca e temperados com azeite, alho, sálvia e alecrim (R$22,50). E tem também costelinhas (R$28,50) com chutney de pimentões vermelhos. Boteco? Bar? Restaurante? Acho que o Otto joga nas três e, para nosso deleite, acerta em todas.
Otto