Criticando Pontapé Beach
Meu costume de privilegiar bares obscuros e incógnitos segue provocando injustiças. Hoje corrijo mais uma, e olha que quase foi tarde demais. É que o conhecido Pontapé, que a portuguesa Rose Coelho inaugurou em 2004 na Praia da Ribeira, Ilha do Governador, tecnicamente não existe mais. Deu lugar - semanas atrás - ao Pontapé Beach, uma versão bem maior e mais confortável do boteco, que antes ficava uma quadra atrás da mesma praia. O que o antigo Pontapé tinha de acanhado, o no$tem de frondoso, num casarão com vista para o mar, quintal, varanda e muitas mesas. Mas sem reações tradicionalistas, por favor. Apesar do nome americanizado e do novo clima praiano, a reforma não estragou nada. O novo Pontapé mantém o despojamento e a forte personalidade de dona Rose. A diferença é que agora é possível a mais gente participar das rodas de samba da casa e se deliciar com os petiscos criados pela proprietária. Na agora quase industrial cozinha, é feito em maior escala - mas com o mesmo $- o bacalhauzinho da Dercy, homenagem de Rose à lendária atriz em forma de croquete de arroz de brócolis. Esse é o carro-chefe da casa, mas o comboio é grande. Ainda tem o bolinho de salmão com maracujá, a excelente carne-seca à milanesa e o melhor de todos, na minha singela opinião: a tigelinha de angu com frutos do mar. Coisa única.
Pontapé Beach