Criticando Corujinha
Aqui tem cerveja. Se for fiado, só veja.' A frase infame e divertida chama a atenção no balcão do restaurante Corujinha, mais conhecido como Bar do Júlio, em São Cristóvão, o boteco preferido de nove entre dez atletas e funcionários do Vasco da Gama, cuja sede fica logo ali do outro lado da rua. O que pouca gente sabe é que seu Júlio, apesar dos 25 anos de serviços prestados à comunidade cruz-maltina, não é português e torce é pelo alvinegro de General Severiano. Sim: o pernambucano Júlio é botafoguense. E não esconde isso de ninguém, ao expor na cristaleira duas belíssimas canecas com a estrela solitária, a menos de 20 metros do imponente muro do estádio de São Januário. Não que isso importe, evidentemente. No Corujinha, o que vale não é time nem escudo, mas os pratos. E os pratos que o botafoguense Júlio e sua família servem conquistam desde os taxistas de Benfica e São Cristóvão até os jogadores profissionais do clube vizinho. - Enquanto não ficam famosos, muitos almoçam aqui direto - diz a filha de seu Júlio, que pilota a registradora. A razão é comum aos bons restaurantes de subúrbio: fartura, capricho e preços baixos. Um prato comercial - daqueles individuais que dão para dois - de suculento contrafilé à avenida, com batatas, arroz, feijão e dois ovos fritos com gema mole, sai por R$ 12. Para finalizar, além da cerveja gelada, comer o pudim com gotas de doce de leite não tem preço: é como ouvir no radinho de pilha um gol de falta do Roberto Dinamite. Que, aliás, dizem, há muito não passa mais por lá. Não sabe o que perde, o presidente.
Corujinha