Criticando Térèze
Amy Winehouse, a inglesa do gogó de ouro, engoliu mosca. Mosca e muitas outras coisas mais, a começar pelas bolachas de pizzas puxadas no pepperoni, que a moça dobrava como wraps e devorava entre goles e goles de Clicquot. Foi só o que ela comeu (ah, ingleses...). Da cozinha do mesmo chef Damien Montecer, à frente do restaurante do Hotel Santa Teresa, onde se hospedou, Amy não provou nada. Em compensação, eu, que fui ali só para isso, provei por mim, por ela e por toda a sua trupe. Dear Amy, você não tem ideia do que perdeu... Este é o segundo verão do Térèze e do chef Daniem Montecer, uma das mais gratas aquisições da gastronomia carioca. Alguns ajustes foram feitos na casa, lindamente decorada com objetos brasileiros. Caso dos providenciais toldos nas janelas, que agora neutralizam a entrada do sol. Almofadas acústicas foram espalhadas pelo salão, outra bela providência: com isso, o nível de ruído diminiu consideravelmente. O ar-condicionado anda tinindo e o salão, além do elegante uruguaio Juan Daniel (ex-Meriden de Paris), agora ganhou o reforço do sommelier Nando Rodrigues. Timaço. Em tarde de assédio a Amy Winehouse (a turma do hotel penou, sou testemunha), provei pratos novos e leves, todos acompanhados do Sèvre et Maine Sur Lie, um muscadet do Loire adoravelmente fresco (conhece, Amy?). Começamos pelo steak tartare de salmão com ovo de codorna pochê com gotinhas de azeite trufado e ovas, lindamente servido (todos são lindos) em uma telha de vidro ondulada. A cesta chegou com pães fofos e quentinhos. Maravilha: o dia estava ganho! Mas ainda teve o cherne alto, nacos maciços na boca, com rolinho de arroz de minilegumes cítricos. Todas as entradas custam R$ 25; os principais, R$ 55, e as sobremesas, R$ 25. Fechamos frugalmente: morangos, lichias, mangas e amoras cortados e dispostos no prato como uma tela de Cezanne. Uma bola de sorbet caseiro dava o toque final. Bisando: Amy, você não tem ideia do que perdeu em Santa...
Térèze