Criticando Armazém São Thiago
Dia desses deu na TV que limão faz muito bem à saúde. Rejuvenesce, tira o cansaço e até emagrece, entre outros talentos milagrosos. E eu, que sempre reputei como maior benefício da fruta a sua incrível capacidade para equilibrar o sal nos petiscos mais engordurados, fiei-me na saudável novidade para apontar, sem remorso, no cardápio do Armazém São Thiago, em Santa Teresa: fatias de picanha defumada, devidamente aspergidas por abundante sumo de limão. Se ela mata, ele cura, $estamos quites. Pois não há nada melhor, caro leitor, do que saborear picanha defumada em cima daquele balcão baixo de mercearia, ao lado de uma cerveja bem mofada. O Armazém São Thiago - hoje muito mais conhecido como Bar do Gomez, sobrinho-neto do espanhol que fundou a casa em 1919 - é uma ululante preciosidade carioca. Tamanho charme deve-se não apenas à cenografia encantadora, mas também à recente vocação da casa pelos sanduíches e frios abundantes. Uma escola rara entre botequins cariocas, quase todos devotos ortodoxos de frituras e bolinhos. Engano-me ou simplesmente não há outro boteco no Rio que ofereça picanha defumada no plantel? Isso sem falar no pastel, de massa feita ali mesmo, no croquete decente, na bela polpeta e até mesmo nos tremoços sempre frescos, ideais para saborear no balcão da rua, vendo os bondes passarem.
Armazém São Thiago