Criticando Rock Tuff Cospe Grosso
Sempre nutri especial simpatia por bares que não nasceram como bares. Como os antigos armazéns, que encontraram na botecagem um meio de sobreviver ao rolo compressor dos supermercados. Dia desses deparei com um novato que não guarda exatamente essa memória, mas parece compartilhar do mesmo DNA. Um antiquário nas imediações da Praça Afonso Pena, inaugurado ano passado e que, por influência da clientela sedenta, transformou-se também em botequim. Aliás, em "cospe grosso", como os donos orgulhosos gostam de se denominar. Chama-se Rock Tuff o lugar. De um ecletismo atroz, mistura som de guitarra elétrica com antigos móveis portugueses, memorabília de futebol, enlatados europeus e muito boa cerveja. Cozinha não tem, mas o frequentador pode comer sardinha, atum e pêssegos em conserva enquanto se resfastela num sofá dos anos 30 forrado com a bandeira do Vasco. À espreita, a camisa 5 rubro-negra com a qual Leovegildo Júnior ergueu a taça em 1992 posa defronte a uma prancha de surfe encostada na parede salpicada de mensagens politicamente incorretas. Tudo isso e muito mais - além do banheiro genialmente decorado (com um bidê fazendo as vezes de pia) - fazem dessa casa uma pérola de humor e nonsense. E que espera encontrar a fama muito em breve, quando uma parceria com a Cervejaria Petrópolis e uma reforma no salão prometem fazer o Rock Tuff cuspir grosso e além.
Rock Tuff Cospe Grosso