Criticando São Sebastião
Antes da espetada (cruel) no São Sebastião, bistrô escondidinho no Leme, faço aqui uma ressalva cheia de louros (coentros, alecrins e outros verdinhos mais): tanto Pedro Prado, chef e dono dali, quanto o restaurante há tempos são referência de bom programa no bairro (e no Rio). Merecidamente. Já vivi e comi coisas ótimas preparadas pelo chef - mas à noite. De dia - pena, pena - a cozinha desanda feio. Tanto que, como se não bastasse a flechada, São Sebastião acabou levando também uma garfada. Preços e pratos são animadores. O menu formule, por exemplo, que vigora durante a semana, inclui aperitivo, entrada e prato principal e, dependendo do escolhido, pode custar menos de R$30. Fui nesse: bruschetta de cebola caramelizada (aperitivo), gazpacho (entrada) e moules frites (principal). Tudo a R$28. Para acompanhar, uma taça de chardonnay chileno, que, com o atraso na cozinha, pulou para duas. Com isso, o vinho saiu mais caro do que o formule. Mas, o.k., foi o melhor da rodada. Os tais bônus (aperitivo e entrada) pouco valeram. Voltaram intactos. Do principal, fiquei apenas com as fritas. Os mexilhões chegaram secos, sem caldo (logo, sem as colheradas finais, a grande curtição do prato). Também voltaram para a cozinha. O chef Pedro Prado não estava (acho) nas internas. Nem (acho) por perto. Se estivesse, provavelmente teria evitado uma série de episódios insólitos até para o mais informal dos comensais: troca de lâmpadas (por que não depois do expediente?); desfile de caixotes com verduras e legumes pelo salão; a manobra (radical) do carrinho com refrigerantes, que tirou um fino da minha mesa (aliás, a única ocupada)... E paro por aqui. Além de garfar, não vou também crucificar o São Sebastião.
São Sebastião