Criticando Pasta e Pallone
Foi no primeiro dia do ano, em caminhada inédita pela Atlântica, que avistei o Pasta e Pallone, que, na verdade, fica na Princesa Isabel, vizinho ao hoje Hotel Windsor. Vi a varandinha de longe e fui lá conferir. Fechado, claro. Colei então o rosto no vidro e bisbilhotei o quanto deu. Saí dali com o firme propósito de voltar. E de aprender o que quer dizer pallone. Missão cumprida: almocei na casa na última terça-feira. Assim que entrei vi o que me escapou do vidro: painéis com fotos de lances antológicos da seleção de futebol italiana nas Copas em que a Azurra saiu consagrada. Na parede oposta, a seleção canarinho fazendo bonito. Mamma mia. Não precisou muito para matar a charada: pallone, ora, ora, é bola de futebol em italiano. É que o chef, um napolitano chamado Michelangelo Simonelli, sonhou ser jogador profissional até o dia em que a família, só de cozinheiros, convocou o ragazzo para colocar a mão na massa. Mas, o décor, adianto, não chega a incomodar. O espaço é bonitinho, claro, bem cuidado, com toalhas engomadas, guardanapos dobrados como origami e ótimas taças pelas mesas. A cozinha não tem maiores pretensões (melhor assim), além de servir pastas feitas como manda o figurino italiano. E com ingredientes da "bota". O diferencial dali fica por conta do chef (italiano legítimo); dos preços camaradas e da adega interessante. Provei o branco Del Cavaliere (R$ 98, preço acima da média na carta), de Perugia, que não carrega esse nome em vão: é de Silvio Berlusconi, premier italiano. O Cavaliere, é sabido, joga nas 11... O cardápio é farto em massas, nem todas frescas (muitas são secas, italianas). Pedi ravióli de radidchio salpicado de noz-moscada (R$ 34), agradável. Mas acho que a melhor jogada é apostar na seleção bacanérrima de bruschettas: pomodoro docinho com basílico (R$ 4,90), berinjela em caponata perfeita (R$ 4), cogumelos no vinho branco (R$ 8) e outras cinco coberturas diferentes. E pedir um bom vinho italiano. Há muitos deles. A carta transita do Sangiovese IGT Rocca Ventosa (R$ 39) ao Brunello di Montalcino DOCG (R$ 225). E para quem curte fechar a refeição com grapas, amaros e que tais, pode anotar: Michelangelo, nesse quesito, também bate um bolão.
Pasta e Pallone