Criticando Miss Tanaka
Sempre curti as graças da Graça, seja na cozinha ou no salão de seus restaurantes (no plural, porque já foram muitos), onde, invariavelmente, tem o seu toque. Inconfundível. Adoro os papéis de presente que ela usa para revestir paredes (já tentei copiar lá em casa e quase fui interditada), as bacias e os baldes plásticos iluminados que viram móbiles (nem ouso), o quimono japonês que funciona como cortina (como é que não pensei nisso antes?) do Miss Tanaka da Avenida Atlântica. Graça é única. Seus espaços e sua cozinha idem. É só dar uma conferida na foto aí de cima. Com a vantagem de quem viveu anos ao lado do pioneiro Yasuto Tanaka, em matéria de cozinha japonesa Graça tem conhecimento de causa e, acima de tudo, de efeito. Não inventa o que não deve, mas já trocou alga por couve mineira e funcionou. Todo mundo copiou. Lançou tempura de pétalas de rosas e a turma correu atrás. Até acarajapa, versão oriental do acarajé, já saiu da cabeça da chef (a iguaria, por sinal, continua em cartaz, a R$12). Miss Tanaka, felizmente, continua fazendo das suas: na casa do Leme, com mobiliário e enfeites à venda (incluindo o sofá de palhinha antigo da calçada, onde se come peixe fresco pegando o frescor do mar), faz espeto de cana-de-açúcar com camarão e molho perfumado com cardamomo (R$23), rolinho vietnamita com camarão, tofu, hortelã e malagueta (R$19) e pastel Saigon, com massa de tapioca e recheio de cogumelo e mignon picante (R$22). Até o sunomomo, pepininho básico, chega diferente, com legumes e nozes que fazem croc. Tem combinado indiano com pitadas de curry (R$45) e sushis e sashimis clássicos, que podem surpreender com umas peças de manga com ovas ou de salmão com espuma de maracujá, dobradinha manjadona mas que ali ganha sabor especial. Talvez por conta do quimono-cortina, das flores de crepom, das cadeiras descasadas ou do porta-copos feito de uma estrutura de colchão de molas. Tudo no melhor estilo "comida, diversão e arte".
Miss Tanaka