Criticando ¡Venga!
Não é de hoje que noto uma certa uniformização dos bares cariocas. Nunca a cidade teve tantas novidades. E nunca as novidades pareceram tão antigas. Corrija-me: os petiscos são iguais, a decoração é parecida, a TV de plasma impera, os uniformes dos garçons só trocam de endereço... Poucos ousam um décor diferente, um menu inovador, um salão sem TV. Pensava nisso quando uma menina do Leblon me chamou para conhecer o ¡Venga!, aberto em 28 de abril de 2009. "Mais um..." Paguei a língua. Para começar, trata-se de um bar de tapas legítimo. Apaixonado por gastronomia, Fernando Kaplan, um dos sócios, passou um tempo na Espanha visitando quatro bares de tapas por dia. Na volta, elaborou o menu com a chef Ciça Roxo. E que menu. Provamos calamares en su tinta com purê de grão-de-bico (R$ 22,50), croquete de presunto serrano e queijo emmenthal (R$4), polvo com batatas e páprica picante (R$ 15,90) e a flauta de solomillo, porção de quatro sanduichinhos de filé, rúcula, cebola roxa marinada e pétalas de tomate confit na bisnaga (R$15,40). Tudo sensacional, tenho o prazer de anunciar. Para beber, sangria (R$ 36, um litro), água de Valência (espumante, suco de laranja e Cointreau numa jarrinha de 500ml, a R$ 25) e cerveja Estrella Damm Inedit, desenvolvida por Ferran Adrià. Preparada da mesma forma que o champanhe, custa R$ 53 (a garrafa de 750ml). Vale o investimento. O ambiente é um capítulo à parte. Criado pelo arquiteto Chicô Gouvêa, que precisou rebolar para fazer caber tudo em 30 metros quadrados, tem lindas latas de azeites especiais à mostra, lâmpadas pendentes do teto, balcão charmoso e deque. E não tem televisão, salve, salve! Só mesmo atendendo ao convite proposto pelo nome do bar para entender: venga assim que puder.
¡Venga!