Criticando Mok Sakebar
Apesar do "bar" no nome, o novo Mok Sakebar, no Leblon, é um restaurante. Do começo ao fim. Além do projeto feliz da casa - que vai crescendo, crescendo e termina numa área aberta, com direito a Buda e barulhinho de água corrente -, o espaço, que tanta dor de cabeça deu ao restaurateur Eduardo Preciados (foram dois anos de obras e brigas), reúne um time de profissionais experientes, que cuida dos drinques aos pratos japas; das sobremesas à cozinha quente, esta última nas mãos do chef francês Pierre Landry. Portanto, a margem de erro ali é mínima. Landry, que chefiou o Le Saint Honoré nos tempos áureos, teve dois anos para afiar os seus hashis e se familiarizar com shoyus, wasabis e outros sabores made in Japan. Está em casa: o carpaccio de lagostins com bavaroise de salmão e creme de ouriço (R$ 28) é um espetáculo. As vieiras e cavaquinhas grelhadas no ponto certo são servidas em espetinhos de alecrim e com um sorbet de tomate docinho ao lado (R$ 31). O mix de cogumelos leva uma colherada de chantilly de trufas (R$ 24) por cima, e o black tuna fresquíssimo é acompanhado de palitinhos de abacate empanados e servidos em taças, com cones de papel dentro, como fritas (R$ 43). Do sushibar, quem cuida é o sushi-chef (gostei do título) Takashi Kawamura, que já andou por Madame Butterfly, Azumi, Mitsuba... Provei apenas o sashimi de atum marinado num wasabi de maçã verde delicadíssimo, sem acidez alguma (R$ 25). Das sobremesas do chef pâtissier Alexandre Lima (não disse que é restaurante do começo ao fim?), ex-Cipriani, dividimos a barra de ovomaltine com banana caramelada, creme azedo e pipoca (R$ 19). E ainda vieram os drinques do barman Fabiano Dias, que trouxe bossas ótimas londrinas. Além de 14 tipos de saquê (tem um trio-degustação a R$ 29), são 22 drinques em cartaz. Mas isso já é seara do "pé-limpo" Jefferson Lessa. Pode ter doído na alma e no bolso dos donos dali, mas a sensação que se tem é que os dois anos de maturação fizeram muito bem ao Mok.
Mok Sakebar