Criticando La Cigale
Não me lembro de outro bistrô no Rio mais francês do que o La Cigale, casa de fachada vermelhinha e varanda envidraçada tipicamente parisiense. Nem a CT Boucherie, de Claude Troisgros, me remete tanto a Paris quanto esse espaço do Leblon. Mas a cozinha dali é curiosa: durante o dia, não existe qualquer compromisso com sabores franceses. Seu bufê é uma combinação de saladas, pratos e sabores de muitas procedências. É almoço executivo, como qualquer outro. À noite é quando se desfruta do melhor do La Cigale: sua cozinha cresce, aparece e, melhor, se parece com a de tantos bistrôs espalhados pela França. E é essa porção bleu blanc rouge que me interessa. E que nos levou ali numa quarta-feira fria e chuvosa, sob medida para tomar um bom tinto (como tomamos), sentadas na varanda (descolamos a melhor mesa), ouvindo Henri Salvador, Piaf e Madeleine e curtindo a chuva escorrendo na vidraça. Delícia. Do jantar, quem cuida é a veterana Ana Ribeiro, chef que desfruta de enorme intimidade com técnicas e culinária francesas. Foi a única mulher a chefiar a cozinha do Le Saint Honoré, restaurante do Meridien que fechou em 2007. De lá, trouxe muitos pratos que serve no Cigale. Procuramos ser lights nos nossos pedidos. Abrimos com a salada verde com queijo coalho quente, crocante de Parma e um vinagrete delicioso que combinava jabuticaba com balsâmico (R$ 18). Depois, nos esquentamos com um velouté de batata-baroa regado com azeite trufado e servido com uma >ita<tuille de parmesão e gergelim (R$ 16,90) que, a nosso pedido, chegou em pequenas porções. Depois, fomos ao prato principal: minhas amigas dividiram os camarões crocantes, que chegaram à mesa envoltos em massinha estalante, acompanhados de arroz de jasmim com pedaços de nirá, damasco e nozes, para perfumar com um molho thai delicado(R$ 63). Eu desfrutei de um adorável >ita<steak au poivre, carne uruguaia macia, molho espesso e batatas douradas, que explodiam na boca (R$ 63). Uma viagem.... A Paris.
La Cigale