Criticando Giuseppe Grill - Leblon
A palavra grill costuma nos levar a imaginar peças suculentas de baby beef, t-bones, chourizos, picanhas e o que mais rodopiar pela frente, não é assim? Mas, em se tratando do Giuseppe Grill, espaço caprichado do Leblon, sugiro uma mudança de alvo. Talvez até de hábito: aposte no grill, mas com tudo que venha do mar. É um mergulho certeiro. O restaurante, cuja matriz fica no Centro (mas como fica longe do mar, prefiro me deter à filial do Leblon), já fez de seus Angus e kobe beefs suas maiores estrelas. Aliás, continuam lá, firmes, fortes e gostosas. Mas acho que o maior diferencial do Giuseppe são os frutos do mar que oferece. São badejos, garoupas, robalos, olhos-de-boi, vermelhos fresquíssimos, pescados no dia (poucas horas antes) por quatro mergulhadores exclusivos dali. E a "féria" fica exposta na bancada de gelo, como nas casas de pescados portuguesas e brasseries parisienses. E como são frescos, não exalam qualquer odor. Fizemos um mesão ali numa noite de friozinho de outono europeu, em torno de uma amiga aniversariante. Ficamos nas ostras (R$ 28) e nas panelinhas fervilhantes de siri (R$ 24) e de cavaquinha (R$ 29), até a chegada dos principais. A "asa sul" da mesa, onde estava, cravou nos peixes, muitos deles. Belisquei todos. Chegam sempre inteiros e cobrados por peso. Pargos e robalos são menorzinhos, em torno de 800g, mais do que suficiente para uma pessoa (cerca de R$ 75, o quilo). Os acompanhamentos variaram também: creme de espinafre, que me fez lembrar o da boa e velha Carreta, o arroz de limão siciliano (sob medida) e as batatas assadas com cascas (R$ 13, cada). Sou só elogios. O maior trunfo de um restaurante são os seus fornecedores. Um bom chef pode até estragar uma matéria-prima de qualidade, mas dificilmente fará milagres com ingredientes ruins. Elementar. Em se tratando então de peixes e frutos do mar, qualidade é fundamental. E nesse quesito, a casa dá banho.
Giuseppe Grill - Leblon