Criticando Joaquina - Botafogo
Não sou de invadir seara alheia, muito menos a do meu pé-limpíssimo predileto Jefferson Lessa. Mas, levada por amigos, acabei parando no Joaquina, boteco de boa cepa instalado no lado B da Cobal do Humaitá. Ou seja, no lado oposto ao burburinho, à multidão e à zoeira em geral causados não pelos músicos que ali se apresentam (que merecem todo o meu respeito), mas pela clientela que insiste em falar mais alto do que o pandeiro e o tamborim... juntos. Não sou expert em Cobal (só no mercado) mas gostei do vi, vivi e comi por ali. A casa também tem mesas ao ar livre no jantar, vista para o Cristo e até um segundo andar com varandinha do tipo saloon (sem bangue-bangue, espero), onde a turma pode soltar fumaça à la vonté, como se dizia nos tempos da Joaquina. Embaixo, o Joaquina é uma graça: bem refrigerado, bem cuidado, bem decorado e bem longe do padrão estético de mercado. Na cozinha, as coisas também tomam outros rumos pelas mãos da chef Fernanda Prates (não falei que é boteco chique?), que foi sócia do Pirilampo, restaurante simpático de Itaipava, que fui até fechar. Fernanda levou para ali seus pratos frescos (mais frescos ainda graças à proximidade com os produtores) e sem frescuras. Nem caberia: é boteco de mercado O cardápio da chef é uma seleção de entradas, pratos e cifras animadoras. Traz coisas como o camarão empanado com coco e molho agridoce (R$17), com um detalhe: é porção com oito camarões. E lingüicinha caramelada com molho de laranja e mel (R$16). Entre os principais, frango indiano com curry, abacaxi e arroz negro (R$19,50), filé mignon delicioso (macio por dentro e seladinho por cima) com fritas sequinhas, farofa de ovo e nuvem dourada de alho crocante (R$21) por cima, e ainda risoto com açafrão, rúcula e manjericão (R$21). Todos servidos em pratos pintados à mão. O cardápio vai em frente, da moquequinha de camarão (R$21) ao bourguignon de cordeiro e paglia e fenno (R$31). O boteco Joaquina, como já deu para sentir, é coisa fina.
Joaquina - Botafogo