Criticando Laguiole
Fui parar no restaurante do Museu de Arte Moderna (MAM) depois de encarar um tiroteio em Santa Teresa, onde havia programado almoçar nessa quarta-feira cheia de emoções. Que sustão! Só conhecia o espocar de uma bala de revólver no cinema ou nos seriados da TV. Ao vivo, cara a cara, é impactante, aterrorizante, assustador. As pernas bambearam, mas conseguimos manobrar e deixar a Almirante Alexandrino para trás. O destino? Qualquer lugar com borbulhas atraentes para muitos brindes à vida. O Laguiole nos pareceu sob medida: ótima adega, cozinha nas mãos do chef Pedro Artagão (que merece mais a minha atenção) e nenhum morro com UPP por perto - projeto, aliás, pelo qual tanto torço quanto acredito. O restaurante do MAM é um dos poucos espaços de museu do Rio (na verdade, acho que é o único) com uma proposta de alta gastronomia. E ele hoje é tão bem-sucedido que já tem vida própria. Sua clientela come ali independentemente da programação do MAM. Ou seja, o Laguiole fez o seu nome próprio - e a sua freguesia. É hoje uma das melhores opções do Centro - eleita no Prêmio Rio Show como melhor lugar Para Falar de Negócios. O espaço é bem cuidado, clean, com orquídeas e mesas sem toalhas. Os pratos chegam esculturais. Fizemos um tour pelo cardápio, provando um pouco de (quase) tudo da cozinha de Artagão: steak tartare (não consigo evitar) com ovo de três minutos, mostarda Dijon e cascas de batata crocante (R$ 28), ceasar salad com lulas e folhas crocantes (R$ 26), sopa de abóbora (purinha, sem maquiagem) com ganache de foie gras e grissini (R$ 32), ragout de camarões com alho-poró crocante (R$ 34) e nhoque de batata-baroa frito com cogumelos e trufas (R$ 46). Espetacular. Deixamos o MAM saciadas e certas de que dias muito melhores virão.
Laguiole