Criticando 28
A intenção, caro leitor, era levar a patroa para comer no Sentaí. Mas - ao contrário das lagostas do famoso restaurante - minha carteira não anda lá muito recheada. Preferimos, então, revisitar o velho Restaurante 28, logo ali do lado, casa de excelentes lembranças que eu não freqüentava desde os tempos de repórter de polícia. Graças a Deus, por lá quase nada mudou. Seu Amândio, o dono há mais de 50 anos, continua pilotando o mesmo balcão de sempre. Na retaguarda, as mesmas talentosas cozinheiras. E nos pratos, a mesma especialidade e razão de ser da casa: o cabrito assado com batatas coradas (R$24, para dois). Tenro, saboroso, marinado de véspera no louro e no vinho pelo próprio seu Amândio, o cabrito é tão macio que basta um leve gesto com a colher para separar a carne do osso. Um manjar, digno de rivalizar com seu homônimo mais famoso, servido no Nova Capela. Só não aconselho comer com os olhos fechados porque também há muito o que se admirar no salão do 28. Como os velhos cabides de pendurar chapéu na parede. Ou o antiqüíssimo cardápio do balcão, a nos lembrar de quando bebíamos cerveja Bib-Hop e refrigerante Crush.
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