Criticando Barracão do Aconchego
Dia desses tive o privilégio de conhecer um ícone da baixa gastronomia mundial. O americano Andrew Zimmern, apresentador do programa "Bizarre foods", do Travel Channel, veio ao Rio gravar um episódio e me deu a honra de ciceroneá-lo por alguns botecos de minha predileção. Entre eles, estava um na Feira de São Cristóvão, onde eu tinha certeza de que faria o gringo apaixonar-se pela buchada de bode. Ou pelo sarapatel. Ou por ambos. Mas eis que ele caiu - e eu também! -- de joelhos mesmo foi pela rabada com agrião, que eu acreditava, tolamente, ser especialidade só dos botecos portugueses. Ledo engano, caro leitor... A rabada com agrião e batatas coradas do Barracão do Aconchego, um dos mais antigos restaurantes da feira dos nordestinos, é dos melhores pratos que comi recentemente. Com tempero perfeito e sem excessos de gordura, deixa felizes até quatro comensais. Evidentemente, as grandes estrelas da casa ainda são o bode e a carne de sol. Mas a excelente rabada com agrião me fez pensar em como este prato é de fato uma unanimidade nacional, quase tão poderoso quanto a feijoada. De origem europeia, está devidamente estabelecido - e é amado - em todos os estados do Nordeste, em Minas Gerais e, claro, no Rio. Um prato genuinamente brasileiro, portanto. E que no Barracão do Aconchego você vai comer pedindo bis.
Barracão do Aconchego