Criticando Vermentino
Ouvi elogios, alguns rasgados, sobre a cozinha do Vermentino, restaurante italiano que abriu há coisa de seis meses, no andar de cima do veterano O Peixe Vivo, na Tonelero. Vibrei, claro. E corri para conferir - correr é força de expressão, em se tratando de Tonelero. Mas foi só depois, a caminho de casa, que me dei conta de que todos os elogios, coincidentemente, partiram de moradores de Copacabana. E isso, definitivamente, fez (e faz) toda a diferença. Sei o quanto conta a favor não ter que brigar por uma vaga para o carrão; voltar para casa caminhando e cantando; e, melhor dos melhores nestes tempos de Lei Seca, beber sem moderação. Mas, não sendo assim (como era o nosso caso), o quadro muda. Para começar, o Vermentino é tristíssimo, com suas janelas de madeira fechadas e luz direta caindo do teto, que, além de deixar todos ali com enormes olheiras, ainda cobriu de sombra o meu tortelloni alla sálvia (R$ 34), massa até levinha, mas clamando por um plus . Com o penne alla caprese (R$ 34) da minha amiga não foi diferente: só mesmo puxando no parmesão. O risoto chegou comportado. Perfeitos mesmo estavam os legumes grelhados com pargo no sal grosso (R$ 54), posta avantajada, para muitos, apesar do aviso no cardápio de que ali não se dividem pratos. Um conselho para a casa: dividam. Há ótimos italianos que permitem numa boa. E faturam com isso. Se não em cifras, em clientes. Ou até em ambos. O Vermentino não surpreende. Cozinha, ambiente e cifras, no final das contas, não me apeteceram. Sinto pela casa e pelos amigos, mas, na minha equação, a casa ficou quase no vermelho. Prefiro a autenticidade do Peixe Vivo. Disparado.
Vermentino