Criticando Panamá Bar
Aqui no Rio, toda rua que se preza tem história para contar. Mas a Domingos Ferreira, em Copacabana, é quase uma Forrest Gump carioca. Vitrine da juventude dourada dos anos 50, a rua já foi passarela de um Brasil feliz, por onde desfilavam as melhores boates, restaurantes e bares da Zona Sul. Ali, o americano Robert Falkenburg abriu, em 1952, o primeiro Bob's, que funciona até hoje. Logo em frente, o mergulhador italiano Americo Santarelli criou sua pizzaria Caravelle, hoje tradicionalíssima. E ali do lado, dois imigrantes espanhóis comandam, desde 1968, um dos botequins mais genuínos da cidade: o Panamá Bar. Antes, um aviso: o Panamá é botequim mesmo, sem licença poética. Sem cartão, sem mesa nem garçom, a decoração é o próprio letreiro, belíssimo, no centro da grande estante de madeira colorida pelas garrafas e etiquetas de preços feitas à mão. Mulher ali é coisa rara, pelo menos durante a semana. A TV, quase sempre muda, só fala alto na hora do jornal. Por outro lado, caro leitor, o bar tem sensibilidades que deixariam sua esposa lisonjeada. Para começar, serve champanhe gelada, e a preços camaradas: R$32 a garrafa de Salton, com direito a taça e balde de gelo. O banheiro é mínimo, mas limpíssimo, com espelho na porta e gelo no mictório. O balcão, comandado pelos discretos e septuagenários Antônio e Rogério, oferece sardinha inteira, jiló recheado, batatinhas e outros petiscos de bar ibérico. Nada demais, mas não importa. O que alimenta ali são as histórias. Da rua, dos donos, dos clientes, dos dias em que a Domingos Ferreira era vitrine do Brasil. Visite o blog do Juarez Becoza
Panamá Bar