Criticando Cais da Ribeira
Desde que o Méridien fechou (há dois anos, e continua doendo), um time de profissionais de altíssimo nível ficou à deriva. Muitos foram para o exterior; outros, para longe do Rio; mas alguns, felizmente, acabaram sendo fisgados por hotéis e restaurantes daqui. É o caso do chef Renato Vicente, 20 anos de Méridien, que no ano passado assumiu a cozinha do "portuga" Hotel Pestana e de seu Cais da Ribeira, um dos raros restaurantes de hotel com varanda para a Atlântica (a dica é ficar lá). A proposta da casa sempre foi a de servir cozinha portuguesa moderna, seja pelas técnicas de preparo, seja pela apresentação dos pratos. Para tanto, trouxeram de Lisboa, na época da abertura, o chef Leonel Pereira, um dos mais ativos defensores da renovação da gastronomia portuguesa. Foi um sucessão. Só que Pereira acabou voltando para a terrinha para comandar os 43 restaurantes da rede Pousadas de Portugal. Fez falta. E só agora foi substituído à altura: o carioca Renato Vicente, apesar da formação e de toda a trajetória francesa, está perfeitamente à vontade com a cozinha de nossos patrícios. Da sequência dos três pratos salgados do menu-degustação - que custa R$ 150 e tem ainda sobremesa e café com petit fours -, não consigo apontar o melhor: anéis de lagosta e camarões crocantes com crosta de amêndoas e purê de grão-de-bico; pavê de bacalhau cozido em dois tempos e regado com uma emulsão de trufas (sim, trufas); e filé de vitelo ao Alentejo servido com um "sombreiro" (ótima imagem) de foie gras (sim, foie gras). Entre um prato e outro, pães quentinhos chegavam a todo instante. Pela primeira vez - e mal pude crer - declinei da seleção de doces conventuais e fui de sopa de morango no Porto. Não me arrependi. Em meio à "selva" que impera pelo calçadão, o Cais é um porto certo e seguro.
Cais da Ribeira