Criticando Brasserie Brasil
Gosto de comer em museus e casas de cultura. Lá fora. Aqui, tirando o Paço Imperial (que cumpre o seu papel) e o MAM (que até extrapola), não me lembro de outro café ou bistrô (ou seja lá o que for) que me apeteça a ponto de puxar uma cadeirinha. Por isso, vibrei ao saber que o tarimbado Luiz Antonio Rodrigues - que entre tantas outras coisas é mentor do Polo Gastronômico da Praça Quinze (tem referência melhor?) - e o chef Daniel Américo (Garcia & Rodrigues e La Cigale) estavam juntos na Brasserie Brasil, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Juntou a fome com a vontade de comer. Mas bastou chegar ali para o meu apetite sumir. A casa é tão acolhedora quanto o setor de compensação de cheques da agência vizinha. E tem ainda a barulheira, páreo para qualquer pregão da Bolsa de Valores. Detalhes tão pequenos de nós dois se a comida estivesse no mínimo O.k. Não estava. No quadro-negro, escrito em linhas tortas, lemos as atrações do menu executivo do dia, cujo prato principal sai por R$ 19, de segunda a sexta-feira. Como não somos executivas e fomos ali depois de ver a mostra "Virada russa" (a ideia do espaço não é atender ao público do CCBB?), pedi o que quis do cardápio. Comecei pela sopa do dia: espinafre. Muitos minutos depois, me trouxeram a de cebola, que devolvi. Esperei outro tanto (o suficiente para dar conta de uma taça de malbec, R$ 10). Mal toquei. Minha mãe, faminta, pacientemente aguardou o seu medalhão de filé mignon com gratin de batata (R$ 34). Fraquíssimo. De principal, escolhi uma salada de folhas, parmesão, tomates, azeite e fatias de rosbife... estragado. O cheiro inconfundível tomou conta da mesa. E embrulhou o meu estômago. Agora me digam (Rodrigues e Américo): que cozinha é essa que não identifica o cheiro de comida estragada? Quando a nova chegou, minha fome estava a léguas dali. A conta foi outro susto: R$ 100, por três taças de vinho, sopa, salada e um medalhão com batata. Sinceramente? Acho que a coisa ali anda ruça.
Brasserie Brasil