Criticando Ateliê Culinário Odeon
Transitar hoje pela Cinelândia é (quase) um pesadelo. Não fosse a beleza do Teatro Municipal, o desconforto seria completo. De dia - e posso imaginar à noite - a praça é um mar de mendigos, pivetes e (oh, céus) grupos evangélicos que soltam a voz em nome de Deus. Como se não bastasse o mix indigesto, a área abriga um corredor de bares que acenam com o pior da baixa gastronomia carioca (e que alguém socorra o Amarelinho, urgente!). Daí, bastou eu alcançar o Odeon e adentrar o Ateliê Culinário para que o alívio fosse imediato. Além do charme das instalações da casa, o espaço conta com uma simpática livraria montada ao longo da escadaria que nos leva ao mezanino. E é justo ali que se almoça usufruindo a beleza da praça da melhor maneira (hoje) possível: de longe. E do alto. Estive no Ateliê numa sexta-feira de temperatura amena, em que a maior atração do dia era a feijoada (R$ 22, com direito a uma dose de cachaça). Fui em frente: passei os olhos na seleção de sanduíches do cardápio. Apesar da simpática homenagem ao cinema nacional, não me pareceu animador comer um Lavoura Arcaica, muito menos um Madame Satã. Então, me deixei fisgar pela tigelinha de moqueca de namorado (R$ 24), que chegou em um bowl branco e fundo, com arroz integral (dá para escolher), nacos de peixe, rodelas de banana-da-terra (que adoro) e lâminas de coco queimado salpicadas por cima. Fumegante. Delicioso. Acompanhei com uma taça de rosé nacional (R$ 10,50). Só titubeei na sobremesa: tiramisù (R$ 7,50) ou cheesecake de cassis ou goiaba? Fui na certa, no de goiaba (R$ 8), clássico desde os tempos do Ateliê Culinário da Rua Dias Ferreira. A casa da Cinelândia não é nova, mas, talvez por conta da deterioração da área, a filial dessa rede de cafés (hoje restrita às antessalas de cinemas) nunca me pareceu tão gostosa, charmosa, bem cuidada e - ufa - bem localizada. Aleluia!
Ateliê Culinário Odeon