Criticando Adega do Pimenta - Centro
Foi um amigo que me soprou essa: a Adega do Pimenta, casa alemã clássica de Santa Teresa, na surdina, abriu filial bem pertinho daqui da Irineu Marinho: na Praça Tiradentes, num casarão do século XVI, lindo, com paredes em pedras aparentes e um mezanino inacreditável, ainda em obras, mas que logo estará na roda. É uma viagem percorrer o espaço de cima, com claraboia e sacadas voltadas para a praça: me senti no Rossio, coração de Lisboa. O Pimenta da Tiradentes não soma dez dias de aberto, foi tudo na moita. Mas já funciona como gente grande, com a "família Pimenta" a postos, segurando o rojão. E de casa cheia. A cozinha e serviço, depois de décadas de experiência, andam bem. Tudo sai a contento. O cardápio é igual ao de Santa, e, às sexta-feiras, dia em que estivemos ali, rola uma feijoada alemã, à base de feijão-branco e carnes, sucesso pelas mesas. Mas o calorão nos fez declinar do prato do dia. Pedimos o mix de minilinguiças, servido com ketchup salpicado de curry, bacana, e mais as duas versões de mostardas que ficam nas mesas. Com um copão de Hoegaarden em punho, cerveja belga levinha e gélida, por mim, já estava almoçada. Mas Bety Orsini, minha fiel escudeira, quis o eisbein grelhado, que chegou com casquinha à la pururuca, estalando na boca. Uma coisa. Só conhecia o prato com a carne cozida. O dali, grelhado, é espetacular. Nem em Berlim comi parecido. Mas é porção para muitos, confira na foto (R$ 44). Como não sabia, pedi o arenque marinado (R$ 18,50) de prato principal, que felizmente chegou pequeno, salpicado de cubos de cebola crua, grãos de sal grosso e pimenta rosa. Não é pedido para qualquer um. Tem que gostar do gênero cru... Dei conta direitinho do recado e ainda com fôlego para me juntar à Bety no coro de gemidos do eisbein. Almoço dos bons. Melhor ainda saber que a Prefeitura vai acabar com o estacionamento naquele trecho da praça e liberar a calçada para mesinhas. Tomara, tomara. Difícil vai ser voltar para a Irineu...
Adega do Pimenta - Centro