Criticando Cabidinho
Um observador atento, mas apressado, terá a certeza de que o Cabidinho, antigo pé-sujíssimo reinaugurado de roupa nova mês passado em Botafogo, virou filial da rede Belmonte. Afinal, a decoração é igual; os uniformes, idênticos; e o logotipo, primo-irmão. Mas o que parece padronização é só inspiração mesmo. E com algumas exclusividades que fazem do bar, apesar da aparência, um lugar de muita personalidade. Para começar, ele ressuscita um conceito que parecia esquecido em nossa cidade receosa da violência. Abre 24 horas, sete dias por semana. Só por isso, a boemia inveterada já agradece, compungida. Apesar do cardápio "tem de tudo" - com direito até a uma versão ogra da empada aberta do Belmonte - o Cabidinho também se arrisca com sucesso no campo da sofisticação. Graças ao dedo de Mário de Souza, ex-maitre do Mistura Fina que agora gerencia a casa, é possível tomar sopa de batata-baroa com gorgonzola ou comer berinjela grelhada no azeite a qualquer hora. Mas os boêmios toscos, como eu, preferirão mesmo os sanduíches "tipo trailer", perfeitos para reforçar o café da manhã de quem ainda nem dormiu. O novo dono, seu João, também anda aberto a outras novidades. A última começou ontem: moça que pedir taça de espumante nacional (R$13) ganha duas. Mas tem que ser mulher. Ou, sei lá, estar vestindo saia. Visite o blog do Juarez Becoza
Cabidinho