Criticando Cantina do Presídio
Se o leitor é desses que gosta de sair do táxi na porta do boteco, nem se dê ao trabalho de continuar lendo. Pois para chegar no bar aí da foto é preciso muita perna... Eu, por exemplo, quase sucumbi à revolta de meus joanetes e por pouco não desisti no meio dos 14 quilômetros de caminho, vencidos a pé por uma estrada no meio da mata. Mas a certeza de que conheceria um botequim singular manteve meu rumo na direção de Dois Rios, vila mais isolada da Ilha Grande, onde funcionou o lendário Presídio Cândido Mendes. Como toda prisão, a da Ilha Grande tinha a sua cantina, que ficava fora da carceragem e servia tanto guardas quanto prisioneiros. Só que estes últimos não tinham acesso a bebidas e, se decidissem aproveitar a saidinha para fugir, levavam bala. O presídio foi demolido em 1994, mas a cantina foi preservada e funciona até hoje. Como mercearia, botequim e inusitado memorial. Sua arquitetura é a mesma da antiga cadeia. A entrada é uma pesada grade, e uma genuína porta de cela guarda o acesso ao banheiro. Tudo é cuidado com esmero por dona Teresa e seu Otair, que já trabalhavam lá na época do presídio e hoje fornecem comida caseira e cerveja gelada a alunos e pesquisadores da Uerj, que instalou na vila um Centro de Estudos Ambientais. Uma comunidade isolada, onde a Cantina do Presídio é a única opção de lazer. Além, é claro, da belíssima Praia de Dois Rios, logo ali a dois passos.
Cantina do Presídio